MÃOS QUE FALAM E OLHOS QUE OUVEM!!!

Já imaginou poder se comunicar sem a propagação de som?

Sim, isso é possível, existe uma forma de poder se comunicar sem a fala (oral) e sem ouvir nada (som). Esta é a forma com que as pessoas Surd@s e ouvintes usam para estabelecer uma comunicação através de sinais feitos com as mãos, podemos dizer que ‘FALAM’ e através da visão, que podemos dizer que ‘OUVEM’. Esta forma de comunicação acontece por meio da LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais.

A LIBRAS é a língua natural da comunidade surda. Tem suas regras morfológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas próprias, possibilitando assim, o desenvolvimento cognitivo da pessoa surda, favorecendo o seu acesso aos conhecimentos existentes na sociedade.

Os sinais são formados a partir de parâmetros, como a combinação do movimento das mãos com um determinado formato num determinado lugar, podendo este lugar, ser uma parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. 

Os parâmetros da LIBRAS são:

  • Configuração das mãos;
  • Figuras Geométricas; 
  • Movimentos; 
  • Orientação espacial;
  • Expressão facial e/ou corporal.

Nesta combinação se obtém o sinal. Portanto, falar com as mãos é combinar os sinais que formam as palavras e as frases num determinado contexto.

Há uma grande confusão e discussão em torno da aceitação ou não da LIBRAS por alguns ouvintes, devido às influências e preconceitos sociais, mas pode-se verificar alguns pontos importantes que devem ser considerados: Respeito pela LIBRAS; 

O desenvolvimento cognitivo, afetivo, sociocultural e acadêmico não dependem da audição, mas sim do desenvolvimento espontâneo da sua língua;

A LIBRAS facilita e propicia o desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança surda, auxiliando no processo de aprendizagem das Línguas Orais, favorecendo a produção escrita, servindo de apoio para a leitura e compreensão dos textos.

Partes da mão: 

“Existem surdos que conseguem aprender a falar e outros que aprendem a LIBRAS. Estes desenvolvem a habilidade espacial no cérebro de forma mais significativa do que o outro. A possibilidade de ter um desenvolvimento mais natural no espaço pode favorecer o processo educacional da criança surda. É uma forma de aproveitar o potencial dos surdos, pois eles estabelecem de uma forma visual espacial, relações diretas com a imagem que o pensamento lhe permite.” (Kojima e Segala, p.l2)

Gilberto Lange
Pós-graduado em Docência e Tradutor/Interprete de LIBRAS.

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